A
moça me tinha nos olhos profundos,
olhos
mais quietos que os olhos do mar;
E
as feras marinhas voltavam pro escuro
de
frente com as feras sombrias do olhar.
Nas
dúbias palavras fui tolo marujo,
Na
estranha quietude não quis navegar;
Nas
odes do afeto faltou-me a virtude
de
tudo que é dito saber demonstrar.
Jogara-me
em nau de loucura e sussurro
com
quantos feridos quiseram vagar
por
vales infames que servem refúgio
às
hábeis sereias que querem embalar
piratas
perdidos na treva do mundo
por
conta de um beijo que não quis se dar;
Melhor
são as águas que vibram suas ondas,
que
aquelas tristonhas tentando parar.
Sofrido
um naufrágio, nadei sem ter rumo
até
linda terra e florida encontrar,
Nela
um arcanjo cigana me surge
saudando
com risos e abraços de paz.
Por
sua vontade larguei dos meus gumes,
meus
baixos costumes e vícios quaisquer;
Não
mais ansiava por mares à fundo,
bastando-me
o baile das fáceis marés.
E
então ela disse, causando-me um susto,
que
antigo naufrágio levou-me da Terra;
Estava
em colônia de auxílio aos marujos:
que
morto nas águas, fui salvo por ela.

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