sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O Marujo



A moça me tinha nos olhos profundos,
olhos mais quietos que os olhos do mar;
E as feras marinhas voltavam pro escuro
de frente com as feras sombrias do olhar.

Nas dúbias palavras fui tolo marujo,
Na estranha quietude não quis navegar;
Nas odes do afeto faltou-me a virtude
de tudo que é dito saber demonstrar.

Jogara-me em nau de loucura e sussurro
com quantos feridos quiseram vagar
por vales infames que servem refúgio
às hábeis sereias que querem embalar

piratas perdidos na treva do mundo
por conta de um beijo que não quis se dar;
Melhor são as águas que vibram suas ondas,
que aquelas tristonhas tentando parar.

Sofrido um naufrágio, nadei sem ter rumo
até linda terra e florida encontrar,
Nela um arcanjo cigana me surge
saudando com risos e abraços de paz.

Por sua vontade larguei dos meus gumes,
meus baixos costumes e vícios quaisquer;
Não mais ansiava por mares à fundo,
bastando-me o baile das fáceis marés.

E então ela disse, causando-me um susto,
que antigo naufrágio levou-me da Terra;
Estava em colônia de auxílio aos marujos:
que morto nas águas, fui salvo por ela.

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